MARIA ALCINA: A MODERNIDADE DE UMA JOVEM AOS 73 ANOS

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27/04/2022

MARIA ALCINA: A MODERNIDADE DE UMA JOVEM AOS 73 ANOS

Na história da Música Popular Brasileira (MPB), muitas foram as mulheres que imprimiram sua personalidade a uma carreira de sucesso, se renovando ano após ano. Poucas, no entanto, podemos comparar a transgressora, nada normal e sempre moderna Maria Alcina, que completa 73 anos nesse 22 de abril. Revelada para o grande público em setembro de 1972 na sétima e última edição do Festival Internacional da Canção (FIC) com a música Fio Maravilha, de Jorge Ben, a mineira ainda comemora em 2022 os seus cinquenta anos de uma bem sucedida e inquieta carreira.
Esbanjando jovialidade, Alcina é uma artista que sempre esteve à frente do seu tempo. Prova disso, são três dos seus mais recentes trabalhos: De Normal Bastam os Outros (2014), Espírito de Tudo (2017), com canções de Caetano Velloso e Maria Alcina in Concert (2019), gravado ao vivo com a SP Pops Symphonic Band, todos produzidos pelo competente Thiago Marques Luiz. Verdadeiras pérolas ainda encontradas no formato físico, o que faz das capas e encartes dos discos verdadeiras obras de arte. Sim, estamos falando de trabalhos lançados após os anos 2000, na era das “anitas”, das “gagas” e das “pablos”, mas se voltarmos um pouco no tempo o LP Plenitude (1979) já trazia uma artista moderna e irreverente, não muito comum para a atualidade. Plenitude, se lançado hoje, seria um disco moderno e atual.
Dentro das comemorações dos seus 50 anos de carreira, Alcina vem lançando desde janeiro, exclusivamente nas plataformas digitais, canções que certamente também ficarão marcadas em sua história, a exemplo de O Rei mandou e Extravagantes Celestes, de João Roberto Kelly, ambas gravadas em parceria com o compositor Heitor D’Alincourt.
Dona de uma das vozes mais marcantes e potentes da MPB, além de Fio Maravilha, Alcina coleciona outros grandes hits como Kid Cavaquinho, de João Bosco e Aldir Blanc, Doida, bonita e gostosa, de Jorge Alfredo e Chico Evangelista, Torresmo à Milanesa, de Adoniran Barbosa e Carlinhos Vergueiro e Folia no Matagal, de Eduardo Dusek e Luiz Carlos Goes.
A trajetória de Alcina entre 1979 e 1985 é um capítulo à parte. A cantora, que já tinha seu jeito escrachado de cantar e se vestir, virou presença constante nos programas de auditório como Buzina e Cassino do Chacrinha, Clube do Bolinha e Silvio Santos. No repertório, músicas de duplo sentido que a artista garimpou no cancioneiro nordestino. É Mais Embaixo (passeei com meu amado peguei no umbiguinho dele e ele disse: é mais embaixo) e Bacurinha (Papai ai que calor, calor na bacurinha), ambas canções de domínio público que faziam parte do repertório do Pastoril do Velho Faceta e que a artista sabiamente soube garimpar e aproveitar, são dois exemplos dessa fase. Prenda o Tadeu (Seu delegado, prenda o Tadeu, ele pegou minha irmã e, nham…) de Clemilda e Antônio Sima, foi a canção que em 1985 trouxe Alcina de volta aos holofotes, embora ela nunca tenha parado de cantar. Lançada pela própria Clemilda um ano antes, Alcina imprimiu toda sua personalidade na interpretação de Tadeu.
E por falar em “ser moderna e antenada’, De Normal Bastam os Outros já mostra bem o espirito da artista: Alcina está cercada de um verdadeiro time de competentes compositores, dentre eles Jorge Bem Jor, Felipe Cordeiro, Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, Anastácia, Karina Buhr, Osvaldo Nunes e Chico Anysio. O dueto com Ney Matogrosso em Bigorilho, é um espetáculo á parte. Como diz a canção De Nomal…, de onde foi tirado o título do trabalho, também lançado em DVD, “de normal bastam os outros, é preciso ter coragem”. Haja coragem, haja competência e haja talento. Salve Dona Maria Alcina Leite em seus 50 anos de carreira e que venham outras comemorações pois de normal já bastam tantas outras.

CARLOS LEAL
Jornalista, escritor e produtor cultural

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