RETROSPECTIVA DO CARNAVAL 2017: “Cidade da Música”

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13/03/2017

RETROSPECTIVA DO CARNAVAL 2017: “Cidade da Música”

Contradizendo o que se divulgou até agora, o tema do Carnaval de 2017 denominado “Cidade da Música”, nada tem a ver com os artistas locais e sim por ter sido Salvador, considerada a “Cidade da Música”, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. “A medida faz parte da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, que tem como objetivo promover a cooperação internacional entre cidades para desenvolvimento urbano sustentável, inclusão social e aumento da influência da cultura no mundo”.

A Prefeitura de Salvador, através de decreto, denominou o tema do Carnaval dessa forma, o que não se pode deixar de entender também como uma homenagear aos artistas locais que fazem a festa; todos participam ativamente compondo, cantando, animando o folião.

O Carnaval

Esse ano de 2017 não foi o que se queria para a festa momesca da capital baiana. Dizemos “o que se queria” porque o que se esperava foi o que aconteceu: uma queda significativa em todos os setores que concerne o Carnaval, fato que se transformou em animação para os carnavais concorrentes de outas cidade como Rio de Janeiro e São Paulo, que tiveram aumento considerável em seus carnavais de rua.

Enquanto o Carnaval de Salvador vem encolhendo ano após anos, os carnavais das cidades do Sudeste vêm crescendo no mesmo percentual de queda do Carnaval baiano, fato que vimos alertando há mais de 10 anos, mas os empresários e prepostos do poder público não se preocuparam com isso.

São Paulo e Rio de Janeiro estão em uma ascensão impressionante, levando, inclusive, as nossas melhores atrações. Os blocos de rua de São Paulo então se profissionalizando e começaram a se estruturar para buscar lucro, virar empresa. Começaram a investir em trios elétricos, artistas de peso; eventos pré-carnavalescos, promoções, e tudo que se fazia em Salvador. Vai chegar, e não demora muito, o momento em que não haverá a participação de grandes nomes da música baiana tocando no Carnaval da primeira capital do Brasil.

Por incrível que pareça, acredita-se que ninguém do negócio carnavalesco da Bahia teve a sensibilidade de ver que o esvaziamento do Circuito Osmar e o inchaço do Circuito Dodô seria a base para o enfraquecimento do Carnaval de Salvador como um todo, outro alerta que também há mais de 10 anos vimos divulgando na Revista Exclusiva. As principais atrações e os principais blocos migraram para o circuito da Barra a Ondina, decretando o abandono total do então circuito principal do Carnaval soteropolitano que era o Circuito Osmar, o do Centro da Cidade.

O que se viu esse ano de 2017 no Campo Grande? Nem briga teve tamanho o esvaziamento do circuito. A maioria das atrações foi sem expressão midiática, apesar de quase todas serem de boa ou excelente qualidade. Grandes blocos tradicionais? Somente As Muquiranas, Filhos de Gandhi, Ilê Aiyê e Olodum. Atrações de peso só Daniela Mercury, Léo Santana, Banda Cheiro, Alinne Rosa, Saulo, Psirico, Aviões ainda com Solange, Harmonia do Samba e Ivete Sangalo em um dia.

Carnaval da Pipoca

Esse foi o ano da Pipoca. Os blocos baixaram as cordas de vez, o que descaracterizou o Carnaval de Salvador. Mas essa tendência não é em decorrência da bondade nem de uma decisão dos empresários em prol da comunidade. Na verdade foi uma condição imposta pela situação financeira das entidades que não tiveram vendas suficientes para bancar a contratação dos grupos de cordeiros e seguranças, dai a extinção das cordas da maioria dos blocos carnavalescos com trio elétrico, inclusive alguns dos mais tradicionais como o Bloco Cheiro de Amor, que era um dos mais cheios e bonitos a desfilar no Circuito Osmar. No Circuito Dodô também teve bloque que baixou as cordas pelo mesmo motivo. O certo é que absolutamente nenhum extinguiu as cordas por querer “abrir” o espaço para o povo.

Carnaval da Barra

Ainda é o melhor circuito do Carnaval em relação às atrações: todas correram para lá. Bell Marques, o melhor puxador de trio e o melhor cantor do Axé da história, pela primeira vez em 38 anos, não desfilou um dia sequer no Centro da Cidade, deixou uma lacuna que só foi amenizada com a passagem de Saulo Fernandes e Igor Kannário, quando atraíram milhares de foliões, caracteristicamente “puxados” por Bell Marques nos tempo áureos da Banda Chiclete com Banana.

Na Barra desfilaram todas as grandes atrações do Carnaval da Bahia, inclusive os nomes nacionais que vieram para a festa baiana como Wesley Safadão e Anitta, além de trações locais como Cláudia Leitte que não foi ao Campo Grande, Ivete Sangalo, Durval Lelys, Daniela Mercury, Ricardo Chaves, Léo Santana, Banda Cheiro, Alinne Rosa, Saulo, Psirico e Harmonia do Samba, o que também não foi o que se esperava para aquele circuito que atrai a maioria dos foliões, sobretudo os turistas.

Em Ondina se concentrou a maioria dos grandes camarotes, um mais pomposo que o outro, o que transformou, na prática, o Carnaval mais participativo do planeta em o maior “Carnaval Indoor” do mundo, digno de figurar no Guinness Book – esse foi mais um dos motivos para o esvaziamento dos blocos carnavalescos, já que os foliões migraram dos blocos para os camarotes, fugindo da violência das ruas e dos transtornos do trajeto, para buscar a comodidade e conforto oferecido nestes “in door”, além dos “all inclusive”, as grandes atrações incluídas na compra dos abadás/ingressos.

Sodoma e Gomorra

Ainda no Circuito Dodô, o que se viu foi a transformação daquela área da bela e aconchegante Cidade do Salvador em uma “Sodoma” ou “Gomorra”. O sexo explicito era praticado, sobretudo por homossexuais masculinos sem o menor pudor e reserva, como se a liberalidade do direito (e justo) a preferência sexual de cada indivíduo fosse ter que ser demostrada de forma desrespeitosa a agressiva em todo e qualquer lugar público (esqueceram das tais quatro paredes), prática, alias, abominável para qualquer ser humano, tenha a preferência sexual que tiver. Lastimável!

Em Gênesis 19 – Sodoma e Gomorra são, de acordo com a Bíblia judaica, duas cidades que teriam sido destruídas por Deus com fogo e enxofre descido do céu. Segundo o relato bíblico, as cidades e os seus habitantes foram destruídos por Deus devido a prática de atos sexuais imorais de forma excessiva, sem a preservação do moral.

Apoteose do Campo Grande

Três momentos apoteóticos aconteceram no Circuito Osmar, Campo Grande, com a participação dos artistas Saulo Fernandes, Daniela Mercury e Igor Kannário.

Saulo atraiu uma multidão que fechou todos os espaços do Corredor da Folia esbanjando simpatia e talento. Levou nomes importantes para o surgimento do Axé Music como o cantor Zé Honório, que fez muito sucesso com a música “Amar quem já amei”, do compositor Zé Ramalho, também gravada na voz de Amelinha.

Outro belo momento foi da cantora Daniela Mercury que de fato deu um show na Passarela da Folia, apresentando em seu trio elétrico com dois andares, um corpo de balé e muitos artistas convidados. Daniela cantou, dançou e coloriu a praça com purpurina multicor, um belo espetáculo!

O terceiro momento foi protagonizado pelo vereador da capital e cantor que se auto intitula “o príncipe do Gueto” Igor Kannário, que da mesma forma que Saulo, fechou o Corredor da Folia com uma multidão impressionante, só vista na época master do Chiclete, cuja voz era do rei do axé, Bell Marques. Fora isso, poucos foram os belos e emocionantes momentos diante da bateria de camarotes oficial da Prefeitura de Salvador e da imprensa que se posta naquele local, incluindo a Revista Exclusiva.

Música

Na “Cidade da Música” rolou de tudo: prego, martelo nas mãos das santinhas que misturadas com a outra que tá que tá e vai descendo com o dedo na boca como uma mulher no poder, e tudo isso sem tirar o doce da boca de uma criança.

Nesse contexto a mais cotada para ganhar prêmios diversos é a “Santinha”, do cantor e compositor Léo Santana em parceria com um dos músicos da sua banda, Rafinha Queiroz. Ademais tivemos MC G15 – Deu Onda, É O Tchan – Desafio do manequim, Ivete Sangalo – O Doce, Psirico – Mulheres no Poder, Claudia Leitte – Taquitá, MC Beijinho – Me Libera Nega, Timbalada – Por Conta Desse Amor, e a Banda Vingadora – Calcanhar de Prego.

NOTA: Vamos editar essa postagem e incluir mais fotos.